Em 1993, o Nivana era a maior banda de rock do mundo. Querida das bandas de garagem e dos playboys que curtiam MTV. Kurt Cobain estampava camisas e era o novo Che Guevara. A banda não conseguia mais dar shows em lugares pequenos. Em países onde não se fala inglês, Kurt via, do palco, “uma garotada que nem sabia o que se estava cantando, vestindo a camisa do Nirvana”.


Isso o deprimia. Isso tinha que acabar.



Cobain viu na oportunidade de trabalhar com o lendário produtor Steve Albini (cujos trabalhos com Pixies, Breederes e PJ Harvey, na virada dos 80 para os 90 inspiraram o próprio líder do Nirvana) a chance de acabar com a festa da mídia e dos fãs FM. Resolveu estragar o som da banda.


Albini é famoso por ser o gênio das gravações sujas, analógicas, e cheias de sinceridade. O bumbo da bateria dos discos que produzia batia vibrava na goela do ouvinte.


Quando Kobain e Albini apresentaram o resultado final a cúpula da toda poderosa gravadora Geffen, os engravatados caíram pra trás. “É um lixo”, “As canções são boas, mas a gravação é inaudível”, “Parece a demotape de uma banda que não tem dinheiro”, foi alguma das frases que, diz a lenda, foram ditas na ocasião pelos chefes.


Albini foi demitido. Kurt, contrariado, mergulho de vez na Heroína.


A Geffen contratou Scott Litt, produtor do R.E.M. , responsável pelo som limpíssimo do último disco da banda na época, Automatic For The People, para remixar e limpar tudo. E esse foi o álbum In Utero que chegou às lojas no dia 13 de setembro daquele ano.


O mundo underground, na época, estava esperando pelo encontro de Cobain e Albini como uma partida de futebol com Pelé e Di Steffano. A mixagem original de Albini nunca veio à tona. Permaneceu um mistério.


Até hoje.


Em tempo de Wikileaks, vazou a mixagem de Albini.


Quer baixar agora? Aqui.


Senão, ouça algumas faixas já:


E pense: fosse hoje, na época em que as grandes gravadoras não mandam mais em seus artistas, O In Utero de Albini/Cobain teria sido lançado.


E, quer saber? My Space, Facebook, e esquemas como o do In Rainbows, do Radiohead, teriam feito a vida de Cobain mais fácil. Apostaria um palpite:


Kurt Cobain estaria vivo.